Os Orixás de Umbanda


Falar sobre os orixás de Umbanda é algo muito complicado porque dentro da nossa religião há diversas formas de entendimento a respeito do tema, sendo que cada uma carrega a ancestralidade cultural inerente a região da qual se desenvolveu a Umbanda praticada por aqueles indivíduos. Posso afirmar que existem duas formas de entendimento sobre os Orixás que são muito disseminadas em nosso meio, uma que se desenvolveu a partir de 1945, da qual chamo de entendimento  "clássico" sobre os orixás, e outra que foi gerada e vem se desenvolvendo com certa força a partir de 1990 através das obras do médium Rubens Saraceni. Ambas divergem apenas aos Orixás cultuados e a explicação sobre os mesmos e, como a Umbanda é múltipla e pouco singular, podemos dizer que todo Orixá que se cultue dentro da liturgia umbandista será considerado Orixá de Umbanda. Lembro, também, que o presente artigo não busca um aprofundamento sobre os Orixás, mas sim falar quais Orixás são polarizados com os Tronos de Deus e quais seus campos de atuação.
Entretanto, inclino a discutir apenas os orixás que são bipolarizados com os fatores de Deus porque são os que fomentam nosso desenvolvimento humano e melhor se encaixam à minha concepção enquanto simples médium de Umbanda, além de serem as linhas sustentadoras da Umbanda enquanto religião. São eles:
  • Orixás da Fé.
  • Orixás do Amor.
  • Orixás do Conhecimento.
  • Orixás da Justiça.
  • Orixás da Lei.
  • Orixás da Evolução.
  • Orixás da Geração




Nós umbandistas cultuamos os Orixás como manifestação pura das qualidades de Olorum e é através da crença neles que nossa religião é estrutura, então praticar nosso amor buscando melhor compreende-los é fundamental para todo umbandista. Visando essa necessidade, apresento para vocês Os Orixás de Umbanda:

Orixás assentados no Trono da Fé:
  • Oxalá: é o polo positivo masculino do trono da fé, irradiante, vibrando fé a todo momento.
  • Oya-tempo: é o polo negativo feminino do trono da fé, absorvente, cuja irradiação é alternada: ora esgota o ser desvirtuado, ora estimula o ser apático nos campos da fé.
Orixás assentados no Trono do Amor:
  • Oxum: é o polo positivo feminino do trono do amor, irradiante, é agregadora e através dela há concepção de tudo em todos os campos. Seu fator divino agrega na fé, na lei, no conhecimento, no amor, na evolução e na geração.
  • Oxumaré: é o polo masculino negativo do trono do amor, desagregador, cuja irradiação é alternada. Seu fato divino é desagregador e renovador porque ao mesmo tempo que dilui as concepções instáveis ele traz a qualidade de as renovar, sendo esse "renovar" muito amplo.

rixás assentados no Trono do Conhecimento:
  • Oxóssi: é o orixá estimulador e irradiador do conhecimento, está assentado no polo positivo no Trono do Conhecimento.
  • Obá: está assentada no polo negativo e é a senhora concentradora e fixadora do saber, atuando também como a mãe zeladora dos seres em desequilíbrio nesse sentido.
Orixás assentados no Trono da Justiça (razão):
  • Xangô: Orixá universal assentado no polo positivo do Trono da Justiça, tendo seu campo preferencial de atuação a razão. Xangô é em si a própria Justiça Divina e sua irradiação é polarizada com Iansã porque ela é a agente da Lei cuja natureza eólica expande o fogo de Xangô. Sempre que ativamos a Justiça Divina, tanto seu polo positivo quanto o negativo, acabamos por invocar as forças direcionadoras do Trono da Lei, ou seja, invocamos Iansã e sua qualidade direcionadora.
  • Egunitá: é o polo negativo e atua nos aspectos "punitivos da Lei". Enquanto Xangô irradia estimulando a justiça, Egunitá absorve o negativismo dos seres racionalmente desequilibrados. Como diz R. Saraceni, "Iansã é o ar que alimenta o fogo de Xangô, ou o apaga. [...] Egunitá é o fogo que aquece o ar de Ogum, ou o consome", (2008, pag. 143).
Orixás assentados no Trono da Lei:
  • Ogum: conhecido como o senhor dos caminhos, ou melhor, das vias evolutivas. É o orixá ordenador e sinônimo da Lei Maior, está assentado no polo positivo e suas irradiações estimulam a ordenação de tudo e de todos. O Mistério Ogum é a própria ordenação inflexível e rígida dos mistérios de Olorum, isso porque as irradiações de Ogum estão presentes em todos os processos e procedimentos da criação, fazendo com que tudo "seja e esteja da forma com que devem ser". As irradiações de Ogum se polarizam com as de Egunitá, principalmente quando invocações os mistérios de Ogum para nos proteger das investidas de seres inferiores (desequilibrados). Isso porque Egunitá é tida como a agente punitiva da Lei Maior, ela purifica os seres que estão em desequilíbrio através do seu fogo cósmico enquanto Ogum aplica a Lei direcionando esse fogo consumidor.
  • Iansã: é a senhora aplicadora da Lei nos campos da Justiça, movimentando e esgotando os seres com seu emocional desequilibrado. Ela atua nos direcionando e proporcionando novas perspectivas de vida visando um ajustamento da nossa evolução. É o polo negativo do Trono da Lei, enquanto Ogum é a aplicação da Lei, Iansã é o próprio sentido direcionador e movimentador dessa Lei.
Orixás assentados no Trono da Evolução:
  • Obaluaê: É o Orixá que rege a evolução dos seres e sua qualidade é dual, porque ao mesmo tempo gera a estabilidade na evolução dos seres ele gera a mobilidade dos seres rumo a sua própria evolução. Pensemos em Obaluaê enquanto Orixá que estabiliza os seres em evolução, rumo a ascensão evolutiva. É o Orixá que acelera a evolução nos seres, esse acelerar significa o estimulo nos seres de dias melhores, de melhores condições de vida, de uma situação outra melhor da que pré existe naquele ser. Seu campo preferencial de atuação é a passagem de um nível vibratório para outro, ou seja, de um estágio da evolução para outro.
  • Nanã: Temos em nossa sagrada mãe Nanã os mistérios do adormecimento encarnatório divino, ela rege o decantamento emocional dos seres que estão prestes a encarnar. Não confundindo a atuação desses orixás, já que Nanã provê o adormecimento emocional do espírito e Obaluaê provê o desdobrar do espírito ao útero materno.
Orixás assentados no Trono da Geração:
  • Yemanjá: Criatividade e geração são duas palavras que melhor a definem. Seu campo preferencial de atuação é o amparo à vida, Yemanjá rege a geração e é a própria maternidade em si. Enquanto Oxum agrega as condições de existência de um novo ser na Terra, é Yemenjá quem irá gerar - cuidar - essa agregação (concepção) de Oxum.
  • Omolu: Por estar assentado no Trono da Geração, fica evidente que enquanto Yemanjá é a geração do invólucro carnal então Omolu será o senhor do desencarne que conduzirá os seres para seus lugares de merecimento. Não devemos confundir com Obaluae que cuida das passagens evolutivas. Se Yemanjá é a mãe estimuladora da geração, então Omolu será o pai que trabalhará na aceitação do desenlace espírito x corpo rumo a nova geração espiritual daquela consciência vivente.

Não abordei os Orixás em seus detalhes mais íntimos, procurei apenas explicar suas atuações e suas importâncias dentro dos cultos de Umbanda. Em futuros artigos irei abordar cada um em seu particular.



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